Que falta faz

(Foto: Dave Krugman)

As ruas parecem vazias, todos os carros que transitam por mim são tão insignificantes como folhas que caem ao chão, mortas. Dirijo em baixa velocidade, ouvindo o ar que corta a janela, se misturar com as melodias de piano que escuto no rádio, enquanto procuro algum lugar para ir esta noite.

Ela não está na cidade este fim de semana, ou melhor, não está no país essa semana. E eu aqui, sinto a falta dela, mais até do que deveria, mais do que gostaria. Costumávamos comer e beber na casa dos amigos em noites como esta, depois iríamos para casa, para pegar no sono no meio de algum filme de ação.

A cidade inteira parece vazia, para ser sincero. Os comércios abertos parecem aqueles outdoors iluminados que são sempre ignorados pela má campanha veiculada no painel. Não consigo prestar atenção em nada além da música e da solidão.

Como ela está agora, em Londres? Eu me questiono, perturbado pela ideia que ela poderia estar se divertindo com outra pessoa ou curtindo alguma festa, sem pensar em mim. Apesar dela ter me mandado mensagens a noite inteira, me questiono se ela estaria mais feliz lá ou aqui? O último assunto que conversamos foi sobre as apresentações e negociações que ela terá amanhã, na tentativa de expandir a empresa para a Inglaterra, mas tudo que eu falei foi “boa sorte”, que idiota fui; há muito mais que eu gostaria de ter dito.

Queria que ela estivesse acordada, para ligá-la via Skype. Mas se eu ligar, ela vai se estressar, odeia ser acordada por alguma coisa ou alguém além de seu relógio biológico. Não sei como essas coisas funcionam, mas é incrível, o timing é perfeito e muitas vezes ela acorda até mesmo antes do meu despertador — que é mais cedo que o dela — para me despertar aos beijos.

Faltam poucos dias, dá para aguentar. Ela volta na segunda-feira, se tudo correr bem. E vai correr, sei disso porque tudo sempre corre bem com ela, é incrível. Ela é incrível. Pensando nisso, lembrei que nunca fiquei bravo com ela, ou chateado, ou magoado. Meu único desconforto são os atrasos dela para se trocar; apesar de saber exatamente o que vestir, demora séculos para ficar pronta. Parece que ela faz um intervalo de 15 minutos entre uma peça e outra, entre um calçado e outro, etc.

O alerta do combustível aborta minha viagem emocional. Há quanto tempo estou dirigindo? Já está perto das 23h, estou bem longe de casa e devo voltar, antes que não encontre nenhum posto para abastecer e nenhuma lanchonete abertos. Hora de ir para casa e dormir, por mais um dia, sem ela.

Que falta me faz, de um tempo atrás.


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